A propósito do curso «Escrever Ficção: da teoria ao projeto individual», que começou no dia 5 de novembro - com inscrições ainda abertas -, vamos dar a voz a alunos que, na sequência do mesmo, tiveram o seu trabalho publicado.

São pequenos depoimentos onde os autores partilham a sua experiência.

Hoje a entrevista é com Luísa Luíz Gomes, autora de um livro no prelo, com edição marcada para 2016.

1 - Qual a importância que o curso teve para a publicação do seu trabalho?

O curso de Ficção foi o trampolim para a publicação de um trabalho a que me dediquei, a fundo, nos últimos anos, mas não sabia como publicar. Empenhei-me a sério neste projeto. Tive fases de muito entusiasmo, outras de desânimo. Um dia resolvi frequentar um curso na Escrever Escrever, onde foram apresentadas as principais pistas para a construção de uma narrativa. Gostei muito. Entusiasmei-me e percebi que se queria levar o meu projeto até ao fim, necessitava de uma formação mais longa e desenvolvida, para perceber o que é que pode transformar um projeto de escrita num livro. Então inscrevi-me no curso de seis meses, «Escrever Ficção: da teoria ao projeto individual».

2 - Que conteúdo a surpreendeu especialmente?

O que mais me surpreendeu foi perceber que há técnicas muito definidas para escrever livros, para construir uma narrativa de ficção ou não ficção. e que os escritores, a maioria dos escritores, usam essas técnicas. Ou seja, que os escritores, muitos escritores, são profissionais da escrita. (Isto deve ser o B-A-BA para qualquer estudante de literatura, mas eu nunca olhara para os livros desta maneira...) Que os livros - qualquer livro - decorre de uma perturbação interior - que poderá, ou não, dar lugar a uma «boa» história. Que um livro é uma boa história, bem contada, o que pressupõe uma trama consistente, personagens principais com densidade e muitas outras coisas que este curso ensina. Que a construção de uma narrativa pressupõe a definição de uma estrutura, e quanto mais pormenorizada for essa estrutura inicial mais facilmente fluirá depois o escrever da história. Outra coisa fundamental é que sem rotina - seja diária ou semanal, a horas e dias certos - nunca se chegará a concluir um livro. Isso ainda é, para mim, a maior dificuldade...


3 - Alguma dificuldade que o curso tenha ajudado a superar?

Neste curso, percebi que, independentemente de todas as pessoas próximas a quem damos o original a ler, e nos incentivaram e acharam que ele tinha pés para andar, temos de arranjar alguém com experiência do ramo com paciência suficiente para ler o que escrevemos e criticar, com independência, a nossa «obra-prima». E, no caso de achar que tem potencial, encaminha-la para o mundo da edição. Chama-se a isso ter um editor. De repente, sem nunca termos publicado nada na vida, temos um profissional que nos ajuda a editar o nosso livro, capítulo a capítulo. Confesso que quando descobri a existência deste curso não fazia ideia que me iria levar ao mundo da edição. Nesta fase, temos de aceitar que, afinal, esta ainda não é a nossa obra-prima. E ficar gratos por ter alguém, com know how e olho clínico, capaz de detetar o interesse do livro. E aceitar as sugestões de como pode ser melhorado, com algumas alterações e reestruturações. O que não quer dizer que o desvirtuemos. Perceber que aquele original tinha de levar uma volta antes de ser publicável foi um dos aspetos mais importantes deste curso, depois do qual há duas palavras que nunca mais vou esquecer, antes de começar a escrever um livro: «estrutura» e «rotina». Foi o formador, José Vegar que me as ensinou.

 

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