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Voltámos a mergulhar nos haiku, os pequenos poemas sensoriais japoneses que mostram retratos e contam revelações. Desta vez trabalhámos em dois temas: meta haiku e haiku de verão.

 

Meta haiku

Sílabas não tropeladas,
imagens que aparecem
quente, frio, morno e assim-assim.
                   Tiago Pina

Cinco sílabas
Imagens poéticas
A revelação

Três linhas limpas
Trazem o ar do tempo
Surge o quadro

Manhã de frio
A imagem perdida
Folha caída

O calor no ar
O desenho à vista
A sombra fresca

Saber esperar
Primavera a findar
Verão a chegar

Letras escritas
Imagens que se juntam
Simples perfeição

Palavras ditas
O vento as revolta
Novos sentidos

Palavra nasce
O tempo corre veloz
Sentidos sem fim
                   Francisco Feio

Haiku de verão


20º graus de manhã,
Garrafa no frigorífico.

Vêm de longe
Para bailar a saudade!

O fim da campainha
traz a paz por que
se suspira.

Na horizontal
de costas no areal.

Uma zumbidora
Uma borbulha.

Aceitam-se de branco na felicidade
e na tristeza.

Caracóis, cervejas e
pão torrado ao fim da tarde.
                               Tiago Pina


água fresca
arrepio no corpo
mar de estrelas

beijo roubado
na chuva de estrelas
a luz do dia

silvo agudo
a noite inquieta
melga dançante

calor no corpo
a ribeira imóvel
mergulho o pé

um cheiro no ar
a planície sem fim
giestas em flor
              Francisco Feio

Azul é a luz
Que vem do mar
E que acaricia os meus sonhos

Desprendem-se
As vozes das crianças
No vento de verão

Baixa a noite
Nos perfumes do verão
Com as vozes das cigarras

Luzem entre as ondas
As luzes do sol
É silenciosa a praia

Girassóis dançam
Ao ritmo lento e agradável
De uma brisa marítima

As luzes das cigarras
No céu escuro de uma
Noite de verão são estrelas

Vozes alegres de crianças
Brincam no verde
De um prado

Lembranças dos dias
Quentes de verão
Refrescante água e aniz

Levantam-se
Espigas
na terra seca

Do campo veraneio
O fim da escola
Deixa ressonâncias
Dos risos das crianças

O branco e o amarelo
Das margaridas
Destacam no verde de
Um prado.

O som das abelhas
Ressoa numa tarde
Quente de verão.

Chuva de estrelas
Numa noite de verão
Acorda os sonhos

Mexe-se o mar
Ao ritmo delicado
Das ondas luminosas
                  Giuseppa Giangrande