Basho Horohoroto

 

 

Os pequenos poemas sensoriais japoneses fascinaram muitos autores ocidentais e os naftalianos também.
A segunda parte da sessão foi dedicada ao projecto FOLHETIM.

 

Manhãs em roxo
Jacarandás em flor
A primavera

Asa iluminada
No silêncio da manhã,
A borboleta pousa

Um vento suave
Na seara ondulante,
Amarelo é o mar

Os olhos choram
Dias longos
Regressa a alergia

A luz aquece
A flor desabrocha
Renovação

A terra acorda
Em manhãs de silêncio
Vidas suspensas

Azul celeste     
Os pássaros voam
A papoila treme

                     Francisco Feio

 

Chegou, sentou-se, prometeu
Afinal, não mudou nada.

Os pássaros pipilam
de madrugada.
Atchim, atchim.

A hora muda,
mas continuam
a ser 60 minutos.

Arranco um, dois,
três, quatro, cinco.
Lá foi o morangueiro.

Bato as asas
e descubro que não
sou uma borboleta.
Encontro o chão!

O ar renova-se,
Paga-se o imposto.
Também é a Primavera!

                         Tiago Pina

 

Nas cores da manhã
Há promessa de esplanada
Uma bebida gelada

Andorinhas que voam
Borboletas que poisam
A Vida rebenta

Desabrocham as flores
A alma respira
Um corpo que espirra

Raio de Sol na janela
Brisa da manhã suspira
No chilrear da andorinha

Florescem os ramos
No grande jacarandá
Reino de abelhas

Fruta sumarenta
Sementes no chão
Prenúncio de renovação

Tradição vespertina
Sol brilha rosado
Calor que não existe

A flor estremece
A abelha namora
Com pétalas lilases

                Francisco Semedo

A andorinha morreu com o vírus
E ao contrário da canção,
Nesse ano a primavera não veio

A minha prima Vera
Nasceu entre flores
Num dia de grande silêncio

Chilreiam pássaros no jardim
Como jovens enamorados
Em searas de papoilas

Muda a hora, é primavera
É Páscoa, é renovação
São ovos, morangos e cerejas lá para o verão

Trigais em flor
Verdes searas, brisa azul
Espirro do oceano

Aquele jacarandá florido
É um pássaro cor-de-rosa
Uma borboleta lilás

                      Helena Campos 

 

Flores de primavera
Chuva de cores
Chegou uma nova vida

Luz nova
Ilumina
O silêncio da manhã

No ar a brisa
Canta mudança
E renovação

Borboletas no céu
Voam cores
Na luz de primavera

Papoilas vermelhas
Dançam ao ritmo
Da brisa

Dias grandes
Muda a hora
Luz nova

          Giuseppa Giangrande

 

 

Ouço os pássaros
Nas manhãs de silêncio.
Início da primavera.

Hoje chove
Sente-se a terra molhada.
O verde floresce.

Atravessa-se a avenida
Em filtro lilás.
Jacarandás em flor.

Devoram-se cerejas
Sujam-se trajes.
Tardes de Maio.

Esvoaçam papoilas
com a brisa morna.
Vermelho em flor.

Os voos das andorinhas
Pintam o céu.
Renasce um amor.

Borboletas brancas
No verde florido.
O encanto do mundo.

                Mariana Matias

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O ovo quebra
O pássaro chilreia
A larva morre

Comer morangos
Saborear cerejas
Enamorar-me

As cores brotam
A vida acontece
Vêm os espirros

                    Cláudio Martinho

 

Os dedos entrelaçados
No namoro jovem
Os velhos também amam

Pisar o verde da relva
Sem molestar os insectos
Que os pardais vão devorar

A papoila espreita
Na jovem seara verde
Que a brisa ondula

A flor é sedutora
sente o seu perfume
O espirro será doloroso

A ribeira encheu
Os cabritinhos correm
Já são apetecíveis

Páscoa florida
Verde e rosa
As aves também celebram

Abrir a janela à luz
No silêncio da manhã
Passeio sob as árvores floridas

                           Conceição Brito