vermeer

 

Falámos do que trouxemos para a balança, este ano tão desequilibrada. Flámos das angústias e da esperança. Estes foram os nossos balanços do ano. 



Sempre tive dificuldade em fazer balanços. Ia buscar as coisas boas e as coisas más
que tinham marcado o período sob avaliação – um dia, um mês, um ano – e construía
uma média final, tarefa nem sempre fácil.
Optei por seguir os conselhos de uma amiga americana, muito dada a fazer listas:
numa coluna inscrevo as coisas boas e na coluna ao lado registo as coisas más.
O processo até nem é difícil: o bom para a esquerda, o mau para a direita.
O pior é quando as colunas começam a engrossar com factos que já foram
trabalhados e editados pela memória ou pelo esquecimento. A simplicidade e a
clareza dos registos começam a nublar-se, a perder a nitidez, a interagir, como tintas
que se misturam e diluem mutuamente.
Foi óptimo ter feito aquele estágio, que sensação de plenitude intelectual! Mas não ter
conseguido começar a trabalhar, como esperava, faz o quê da minha pequena vitória?
Qual a média, o balanço final destes dois acontecimentos antagónicos?
Uma derrota?
Logo se vê?
Anularam-se?
Depois de contabilizados os ganhos e as perdas, o balanço real não é sempre
assumido, sendo, muitas vezes, apenas aquilo que é necessário para conseguir
passar à fase seguinte.
Vou, assim, considerar que o que sinto e penso hoje, esta semana, este mês, não
traduz, necessariamente, a súmula de tudo o que se passei, o balanço final de um ano
que já está a acabar mas que só findará quando deixar de doer.
Conceição Brito Lopes
 
 

Andamos de baloiço, o mundo é uma bola.
É um vaivém de acontecimentos, bons e maus.
Mas, ao final, o que importa é voltar à beleza das coisas simples, que vêm do coração.
E dar-se conta do que verdadeiramente nos faz felizes, as coisas pequenas da vida.
E, sobretudo, voltar a ver a cor da esperança.
Giuseppa Giangrande



O futuro chegou.
Disso a convicta certeza.
A Morte é certa, na Vida.
O Futuro também o é..
Seja Ele, curto ou comprido, nunca por cumprir.
Então aprendemos, Humanidade a entender o Presente no Futuro…
Este, mais inabalável e consistente.
Exigente, que não mente, criar desta prenda em Natal,
Um clarão, sempre além em felicidades, nos futuros recorrentes e tão próprios
Porém, um verbo… * O* Verbo… amar.
Há que teimar,
Há mais do que nunca, acreditar.

O riso começou o sorriso…continuous e a balança equilibrou.
Tenhamos fé.
Saudade…
A balança faz o medo, mas não contamina antes proteje.
O medo ainda mais no presente, das magnificas idades.
O future, livre, tranquilo, ele está a instalar-se.
Ontem, hoje e amanhã.
Tudo salvo na vida que se prepara sempre para mais um amanhã.
Hoje surpresa, ontem inesperado
Amanhã a luz o sabe. Sempre é nat@l
Por cumprir? Não…
Faça-se o Universo, o território e o chão onde ainda sabemos contnuar.
Descobrir, desejar, encontrar, enfim…amar.
L@dyBirdBeL
 
 

O desconcerto do mundo ou as angústias de uma espécie que inventa gaiolas para os
outros e desta vez foi engaiolada.

Se há coisa que sei da espécie humana, é que a memória tem asas de pássaro. Os
humanos são animais que morrem por camadas, o passado vai-se esfumando e amanhã
irão para a praia, afogar o azul da neura no azul das águas.
Amanhã, esta pandemia fará bocejar os estudantes nas aulas de História e as datas, os
países, o número de mortos figurarão em cábulas escondidas nas mangas dos casacos.
Mal de quem ficou sem pão, sem trabalho, sem casa, sem pais, sem ninguém.
Mal de quem viu a vida transformada numa concatenação de desgraças como uma
tragédia grega, sendo o vírus, qual caixa de pandora, a origem de todos os males
vindouros.
Todos os outros continuarão como se nada fosse.
E no cinema, alguém avisará o protagonista do Regresso ao Futuro para não conduzir o
carro da máquina do tempo para o famigerado ano de 2020.
E o público rirá entre pipocas.
Helena Campos