Olá, sou o João Ramos. Quando me aventurei no cinema (há 23 anos), o mundo era muito diferente do que é agora, e eu também. A internet estava a dar os primeiros passos, e eu, em plena adolescência, estava ávido de entender o mundo, ouvir as suas histórias e criar as minhas próprias. Este impulso levou-me à Escola Superior de Teatro e Cinema, onde me licenciei em Escrita de Argumento. A logística de fazer filmes nunca me agradou, mas construir  histórias (escrevendo ou editando as imagens) tornou-se uma paixão. Muitos guiões foram parar à gaveta, completos ou inacabados, outros viram dias melhores, chegando a ser produzidos. Entre 2007 e hoje, escrevi guiões para as empresas Monomito, Watermelon e, principalmente, para a série de  animação portuguesa Nutri-Ventures. Também leccionei guionismo durante vários anos cá na Escrever Escrever, mas a quantidade de trabalho na Nutri-Ventures fez-me interromper as aulas, e de certa forma refreou-me a paixão. Ao mesmo tempo, o mundo acelerou.

Hoje, estamos cercados por histórias à distância de um click (obrigado, Facebook). A oferta inesgotável de filmes, vídeos e notícias não tem precedentes e tornou-se cada vez mais difícil percebermos o mundo através deles. Para baralhar ainda mais, a vida presenteou-me com 3 filhos, uma bênção maravilhosa que nos deixa de rastos. Senti necessidade de parar de escrever e dedicar-me a algo físico, a marcenaria. Foi uma agradável surpresa descobrir que construir uma peça de mobiliário ou uma história têm mais em comum do parece. Isto, e o convite para regressar à Escrever Escrever, reconciliou-me com o guionismo. Se a oferta de histórias parece esmagadora e nos reduz a consumidores, ainda restam as histórias que queremos contar. Vamos consumir menos e criar mais. É o acto de criar que devolve o sentido ao mundo. Vamos usar o guionismo como ferramenta. Quem sabe se um dia se torna mesmo um filme?